Formando pastores no campo missionário


“Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” Mateus 9.38 Para os plantadores de igrejas, a formação de obreiros para assumir as novas igrejas tem sido o maior dilema enfrentado no campo missionário. E não é um problema novo, pois tenho visto isso desde a minha conversão em 1967. O meu pai na fé foi um missionário estadunidense que teve sucesso neste quesito. Para as duas primeiras igrejas por ele plantadas, os pastores que assumiram nasceram do seu ministério. Ao iniciar a terceira igreja, fundou um instituto bíblico que se tornou um celeiro de dezenas de pastores e missionários. Mas a maioria dos missionários não alcançam êxito na sucessão, ao deixarem as novas igrejas por eles plantadas. Conheço trabalhos nos quais muito se investiu e no final das contas quase tudo se perdeu devido ao fato que o primeiro pastor deixado na obra, oriundo de outros ministérios, não se adequou à filosofia do missionário plantador. Mesmo as que deram certo com esse procedimento, passaram por muitas dificuldades na adaptação até se firmarem. Claro que há fatores a serem discutidos e muitas nuances que formam o arcabouço desse problema e, por isso mesmo, acredito que se trata de um tema importante que merece um estudo mais apurado a fim de dar novos rumos aos plantadores de igrejas atualmente. É tão importante a formação de pastores no campo missionário, que praticamente todos os missionários que conheci desde a minha conversão, planejaram ter seu próprio instituto bíblico na igreja que estava sendo iniciada. Mas o problema era não ter condições para dar uma formação adequada, pois isso exigiria o apoio de outros. Mas, como a maioria dos missionários atuavam isolados e distantes uns dos outros, a solução era muito difícil. Por essa razão, muitos institutos foram iniciados e poucos resultados obtidos. Contemporaneamente, para complicar ainda mais a situação, surgiu uma lei no Brasil que outorga o reconhecimento pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), dos diplomas de teologia. Isso levou a uma busca por cursos reconhecidos e, em poucos anos, nenhum candidato queria mais se matricular em uma escola teológica sem reconhecimento governamental. Outro agravante, veio com a possibilidade de convalidação dos diplomas de cursos livres anteriores e, com isso, uma correria na busca da convalidação, não tanto para melhorar a qualidade de formação, mas para abrir portas para alguma outra profissão ou formação. Com isso, muitos convalidaram o diploma e invalidaram o ministério. Agora vivemos um momento novo em que temos poucos cursos realmente reconhecidos pelo governo, e a maioria deles com currículos adaptados às exigências do MEC, mas distantes das necessidades reais das nossas igrejas no que diz respeito, não só às questões doutrinárias, como também nas práticas eclesiológicas. Nesse momento de inércia e falta de pastores para as novas e as pequenas igrejas que não têm muitos recursos, o problema está agravado. Estamos, de novo, na busca de soluções. A melhor alternativa continua sendo aquela que tem respaldo nos princípios neotestamentário, onde os plantadores de igrejas formam seus pastores no campo missionário como parte do trabalho, seguindo o modelo de fazer discípulos. Uma das práticas adotadas e que tem dado certo é a utilização de cursos EaD com o mentoreamento do próprio missionário plantador da igreja. O curso EaD substitui a organização de um instituto bíblico que exigiria um grupo de alunos e vários professores. Esse método possibilita que o pastor seja formado dentro da filosofia do seu ministério de plantador, orientando a prática ministerial, a eclesiologia e o direcionamento doutrinário. O mais cedo possível o missionário deve começar a treinar alguém no processo de plantação da igreja. Um exemplo dessa prática acaba de ser adotado pela Diretoria da AMI – Associação Missionária Internacional em parceria com o Instituto Pedra Viva. A expectativa é que, em breve, os frutos sejam colhidos. A orientação de Jesus foi que nós pedíssemos ao Senhor da seara para mandar trabalhadores para a sua seara. Mas não ficou apenas no pedido. Ele deu o exemplo e deixou o modelo a ser seguido, treinando os 12 durante o tempo em que seu ministério se desenvolvia. Ele fazia e os discípulos aprendiam vendo e ouvindo (At 4.20). O apóstolo Paulo foi muito objetivo ao dizer-nos “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo” (1 Co 11.1). O convite de um dos maiores missionários da Igreja é para que nós o imitemos naquilo que ele fazia: ELE IMITAVA CRISTO!

Autor: Carlos Alberto Moraes
Data: 14/04/21

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2 Timóteo 2:19