Igrejas sem pastores

[ Igreja ]

A igreja local é constituída de pastores, diáconos e membros que escolhem os seus líderes espirituais (At 6.3). Somente os pastores (ou aqueles que vivem da pregação do Evangelho) são agentes remunerados do corpo de Cristo, mas sem vínculo empregatício, pois o óbolo pastoral é uma oferta de gratidão e não uma obrigação legal perante a lei de Deus ou dos homens (I Tm 5.18). Como prova disso, Paulo deixou de receber salário das igrejas que não podiam sustentá-lo ou até mesmo daquelas que não queriam investir em seu ministério (II Co 11.9). Em nenhum momento Paulo exigiu provento para realizar a sua missão; todavia, o Novo Testamento ratifica o auxílio financeiro que os crentes deveriam prestar aos que trabalham entre eles e por eles.

Infelizmente, há um bom número de igrejas em nosso meio sem capacidade financeira para sustentar um pastor de tempo integral ou até mesmo de tempo parcial. Há várias razões para isso! A congregação está localizada em uma região muito pobre da cidade e as ofertas não são suficientes para cobrir as despesas operacionais do templo. Igrejas também deixam de crescer e perdem a sua capacidade financeira ou não foram devidamente ensinadas por seus fundadores sobre a importância da mordomia cristã.  Consequentemente, há igrejas sem pastores e muitos pastores sem igrejas, pois um não pode ofertar e o outro não pode sobreviver sem receber um salário. O que o Apóstolo Paulo faria e, de fato, fez em situações como esta?

Apesar de nunca ter coagido os crentes à prática dos dízimos e das ofertas, Paulo claramente ensinou que a generosidade financeira prova o nosso compromisso para com a obra de Deus. O ideal seria que cada igreja fosse capaz e disposta a sustentar o seu pastor como um ato de gratidão e que cada pastor fizesse por merecer este auxílio de sacrifício e amor (I Tm 5.17). Mas, já nos dias de Paulo, o ideal nem sempre foi o real. Ele teve que lidar com a pobreza de certas igrejas e com a avareza de tantas outras; porém, sem deixar que o trabalho de Deus cessasse. As suas cartas estão repletas de exortações contra o egoísmo material das igrejas e a exaltação de algumas delas que conseguiam ser liberais mesmo em momentos difíceis (II Co 8.3; Fp 4.15).

Paulo partiu para o emprego secular ao mesmo tempo em que não desprezou a obra de Deus. Ele era solteiro e um homem eclético, podendo trabalhar com as mãos e deixando bem claro as razões que o transformaram em um fabricante de tendas: “... e em tudo me guardei de vos ser pesado, e ainda me guardarei” (II Co 11.9). Além das dificuldades financeiras das igrejas, Paulo precisava lidar com a cultura helênica de seus dias que não via com bons olhos a remuneração do conhecimento. Ele aproveitou um nicho no mercado romano para fabricar e vender tendas, provavelmente para os soldados do império. Nem por isso ele deixou de repetir os ensinamentos do Senhor Jesus que disse: “E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa” (Lc 10.7). 

Nos dias de hoje, Paulo não deixaria de liderar uma igreja por falta de óbolos pastorais. Ele seria um “fazedor de tendas”, mas, ao mesmo tempo, montaria uma equipe que pudesse ajudá-lo e aliviá-lo junto ao trabalho de Deus. Apesar de bíblicos, Paulo não via o salário eclesiástico e o trabalho de tempo integral como fatores determinantes para decidir qual igreja pastorear e, sim, o chamado de Deus e a necessidade do local. Não é antibíblico exercer um trabalho secular e ao mesmo tempo pastorear uma igreja. Dependendo da região do país, um pastor que trabalha fora pode até servir de bom testemunho e de chamariz para atrair novos convertidos. Antibíblico é deixar igrejas desprovidas de liderança espiritual por questões financeiras.

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Adendo: O autor deste artigo já precisou “fazer tendas” durante alguns anos de seu ministério sem prejuízo para a obra de Deus.

 

 

 

 


Autor: Pr. Rômulo W. Ribeiro
Data: 27/05/2020
Fonte: Publicado originalmente no Jornal de Apoio

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Mateus 28:19